Ratos Songtext
von GANA
Ratos Songtext
(Estendida e de papelão)
Soprava em passo acelerado
Estava demasiado ocupado em tentar respirar
As cidades portuguesas eram assim
Maquilhavam-se para receberem as visitas
Subiam a saia, denunciavam pernas magras e picadas
Os clientes consumiam-nas em grandes algazarras
O perfume fétido disseminava-se com a neblina da madrugada
E a rua sussurrava
Isto não é o país
Isto não é o país
Isto não é o país
Que a minha gente quis
Os músicos eram as lágrimas da cidade e os homens ratos
Um deles, de olhos vermelhos prontos a desabar, diz-me
Por favor tenho fome, tenho muita fome
Tava numa empresa de trabalho temporário
Fizeram-me de otário e deixaram-me aqui
Eu nem sou daqui, por favor ajude-me, sim!?
Entrei num restaurante português, típico norte-americano e pedi o menu extra-large
Deixei-lhe nas mãos e à saída constato que todos os trabalhadores do restaurante são negros
Nesta cidade são tão poucos, trabalharão todos aqui?
Faço um esforço para me lembrar dos rostos da minha mui nobre empresa
E nem um escuro!
A neblina vergou a cidade ao chão
Lá acontece tanta habitação
Estendida e de papelão
As camas dos quartos, nas casas só deitavam corpos falantes da língua do dinheiro
As ruas enchiam-se de ratos esfomeados, guinchos e lágrimas cantantes
O centro da cidade era considerado património mundial da humanidade
Humanidade? Perdi-me no conceito que pressupõe gente e não ratos!
Já os porcos passavam por anos de engorda
Enquanto mais comiam, mais queriam comer
Esses não andavam nas ruas da cidade
Esfregavam o focinho sofregamente nos corredores da decisão
Enquanto grunhiam alto excitados pelos lucros do património
E o extermínio dos ratos
Os porcos também percebiam o poder das palavras
Sabiam que para continuarem a comer era necessário que os ratos acreditassem que a sua engorda era uma inevitabilidade
Por isso não se falava em extermínio, mas higienização
Colaboradores no lugar de trabalhadores
Mudavam-se nomes de bairros para outros mais limpos e favoráveis à narrativa especulativa imobiliária
... e os ratos iam entupindo as ruas
À medida que que ficavam sem espaço, comida e cama, começavam a desconfiar-se
Até que eu, no caminho de casa
Ouço o flautista!
A neblina vergou a cidade ao chão
Lá acontece tanta habitação
Estendida e de papelão
Estendida e de papelão
Soprava em passo acelerado
Estava demasiado ocupado em tentar respirar
As cidades portuguesas eram assim
Maquilhavam-se para receberem as visitas
Subiam a saia, denunciavam pernas magras e picadas
Os clientes consumiam-nas em grandes algazarras
O perfume fétido disseminava-se com a neblina da madrugada
E a rua sussurrava
Isto não é o país
Isto não é o país
Isto não é o país
Que a minha gente quis
Os músicos eram as lágrimas da cidade e os homens ratos
Um deles, de olhos vermelhos prontos a desabar, diz-me
Por favor tenho fome, tenho muita fome
Tava numa empresa de trabalho temporário
Fizeram-me de otário e deixaram-me aqui
Eu nem sou daqui, por favor ajude-me, sim!?
Entrei num restaurante português, típico norte-americano e pedi o menu extra-large
Deixei-lhe nas mãos e à saída constato que todos os trabalhadores do restaurante são negros
Nesta cidade são tão poucos, trabalharão todos aqui?
Faço um esforço para me lembrar dos rostos da minha mui nobre empresa
E nem um escuro!
A neblina vergou a cidade ao chão
Lá acontece tanta habitação
Estendida e de papelão
As camas dos quartos, nas casas só deitavam corpos falantes da língua do dinheiro
As ruas enchiam-se de ratos esfomeados, guinchos e lágrimas cantantes
O centro da cidade era considerado património mundial da humanidade
Humanidade? Perdi-me no conceito que pressupõe gente e não ratos!
Já os porcos passavam por anos de engorda
Enquanto mais comiam, mais queriam comer
Esses não andavam nas ruas da cidade
Esfregavam o focinho sofregamente nos corredores da decisão
Enquanto grunhiam alto excitados pelos lucros do património
E o extermínio dos ratos
Os porcos também percebiam o poder das palavras
Sabiam que para continuarem a comer era necessário que os ratos acreditassem que a sua engorda era uma inevitabilidade
Por isso não se falava em extermínio, mas higienização
Colaboradores no lugar de trabalhadores
Mudavam-se nomes de bairros para outros mais limpos e favoráveis à narrativa especulativa imobiliária
... e os ratos iam entupindo as ruas
À medida que que ficavam sem espaço, comida e cama, começavam a desconfiar-se
Até que eu, no caminho de casa
Ouço o flautista!
A neblina vergou a cidade ao chão
Lá acontece tanta habitação
Estendida e de papelão
Estendida e de papelão
Writer(s): André Cameira, Frederico Carvalho, Luís André Ramos, Rafael Nascimento, Sandro Oliveira Lyrics powered by www.musixmatch.com

